DANIEL GOLBERG E O PRÊMIO PELO RISCO "NEGATIVO" DA BOLSA BR Nesta...

QUEM É DANIEL GOLDBERG:
Goldberg tem um dos currículos mais intrigantes que já passaram pelo podcast:
- Formado em Direito
- Foi Secretário de Direito Econômico no governo Lula 1
- Depois virou presidente do Morgan Stanley no Brasil
- Fundou uma gestora que foi vendida para a Pharallon e por lá ficou 10 anos
- Saiu para fundar a Lumina Capital, sua gestora atual e focada em "Special Situations"
A TEORIA SOBRE PRÊMIO DE RISCO
A Teoria de Finanças é clara: ações são um dos ativos de maior retorno no longo prazo, mas elas possuem forte volatilidade.
Por essa volatilidade, o mercado exige um prêmio de risco alto — ou seja, você precisa ser remunerado com retornos maiores que os da renda fixa.
Mas aí você olha para a bolsa brasileira... E percebe que nada disso é verdade por aqui.
“Nos ensinaram que bolsa é ativo real. Mas no Brasil, isso nunca se concretizou” (Daniel Goldberg).
BOLSA vs PIB
Em 2010, a capitalização total da bolsa era de R$ 2 trilhões. O PIB, algo em torno de R$ 4,5 trilhões.
Hoje, o PIB está em R$ 11 trilhões. E a bolsa? Mal passa de R$ 4,5 trilhões.
Ou seja: a economia mais que dobrou — e a bolsa ficou no mesmo lugar.
Não é só que ela não acompanha a economia... Ela não acompanha nem o IPCA.
E O PRÊMIO DE RISCO?
Se você pegar o retorno esperado da bolsa (via earnings yield) e comparar com o juro real brasileiro, você encontra um prêmio de risco negativo.
Sim, negativo: ganha-se menos em ações no Brasil do que no Tesouro IPCA+.
Mesmo com todo o “risco” adicional que a bolsa carrega.
Na teoria, isso não faz o menor sentido, mas... aqui é Brasil.
O PRIMEIRO DEGRAU DA ESCADA É MUITO ALTO
Pensa no mercado como se fosse uma escada e cada degrau desta escada embute o risco de um ativo (quanto mais alto o degrau, maior o risco).
A taxa livre de risco seria o degrau antes da escada. Ele é tão alto, tão confortável, tão “generoso”... Que ninguém quer subir o resto da escada.
Os degraus seguintes (crédito, bolsa, venture capital) pagam pouco demais diante do conforto de ficar lá embaixo.
“O PROBLEMA É QUE O RISK-FREE NO BRASIL... NÃO É RISK-FREE" (Daniel Goldberg)
O mercado, por mais cínico que seja, ainda é racional: ele não paga mais pelo risco porque sabe que, no fim, não vale a pena correr.
Juros altos, inflação, volatilidade política, cultura de curto-prazismo... Aqui, o investidor não é só conservador, ele é CONDICIONADO a ser conservador.
Somos treinados para amar a renda fixa. É como se o Brasil dissesse, todos os dias: “pra que correr risco se eu te dou 1% ao mês sem esforço?”
CONCLUSÕES:
A bolsa brasileira é um reflexo do país. E talvez esteja tudo certo.
Nossa bolsa é pequena porque nosso mercado de capitais é incipiente, nossa governança é instável, e nosso histórico de respeito ao investidor é, no mínimo, duvidoso.
Se fosse diferente, talvez o prêmio de risco fosse positivo.
Talvez.
Mas enquanto não for, talvez o maior erro seja insistir em olhar pra bolsa brasileira com os óculos da teoria.
Porque por aqui, o que se vê no retrovisor fala muito mais do que os livros de finanças.
DIREITO DE RESPOSTA:
Quase um ano depois da fala do Goldberg no MMakers, LUIZ GUERRA (Pragma) veio fazer um contraponto a isso.
Nas suas palavras:
"Nos últimos 100 anos, em qualquer mercado, ações tendem a render mais que renda fixa no longo prazo"
Ele trouxe dados de uma palestra do Buffett em 2000, na qual ele mostra que o PIB per capita US cresceu 2% ao ano na média de 100 anos enquanto a bolsa teve vários períodos de forte alta seguidos de longos anos lateralizado ou até de queda.
"Concordo com o Daniel que a taxa livre de risco não é livre de risco, pelo tamanho que está. Mas na nossa experiência isso se compensa no longo prazo".
"A gente entende que as ações têm esse prêmio porque não é todo mundo que aguenta essa volatilidade. Se fosse garantido que as ações renderiam CDI + 6% de fato, esse prêmio seria arbitrado, mas tem muita volatilidade".
Trecho da fala do Luiz Guerra no episódio #189, publicado em março/25.
youtube.com/watch?v=GxTLsC…
Na gravação desta semana, Goldberg fará sua tréplica sobre este debate. E claro, falará de muito mais coisas.
Afinal, como o Brasil é cada vez mais o "país do Special Sits", nada como falar com uma das mentes mais brilhantes do assunto sobre isso.
Essa conversa vai ser publicada na quinta, 5/jun, às 18h.
Enquanto ela não vai ao ar, assista a última participação do Daniel Goldberg no Market Makers: youtube.com/live/VaQhlStNc…

