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O Big Bang não foi uma explosão no sentido comum, como uma bomba que detona em um espaço vazio. Foi, na verdade, uma expansão do próprio espaço-tempo. Não houve um “centro” de onde tudo saiu; tudo já estava ali, e tudo começou a se expandir ao mesmo tempo. De acordo com o modelo cosmológico padrão, o universo observável esteve, em seus primeiros instantes, em um estado extremamente quente e denso. Ao extrapolar as equações da Relatividade Geral, chegamos a uma chamada “singularidade” - um ponto onde nossas teorias deixam de funcionar. Isso não significa necessariamente que tudo era infinito, mas sim que ainda não temos uma teoria completa, possivelmente envolvendo a Gravidade Quântica, capaz de descrever esse momento com precisão. Também é comum dizer que não existia um “antes” do Big Bang. No contexto do modelo padrão, isso faz sentido: o próprio tempo, como o entendemos, emerge nesse processo. Ainda assim, algumas hipóteses exploram a possibilidade de fases anteriores, embora isso permaneça em aberto. Nos primeiros instantes, frações de segundo após o início, o universo pode ter passado por um período de expansão extremamente acelerada, conhecido como inflação. Em um intervalo incrivelmente curto, regiões minúsculas foram esticadas a escalas cósmicas, o que ajuda a explicar por que o universo é tão homogêneo em todas as direções. À medida que o universo se expandia, ele também esfriava. No começo, era quente demais para que partículas complexas existissem; havia apenas um plasma de quarks e glúons. Com o resfriamento, esses quarks se combinaram, formando prótons e nêutrons. Poucos minutos depois, ocorreu a nucleossíntese primordial, dando origem aos primeiros núcleos de hidrogênio e hélio. Por centenas de milhares de anos, o universo permaneceu como uma névoa densa de partículas carregadas que aprisionavam a luz. Quando a temperatura caiu o suficiente - cerca de 3.000 kelvin - elétrons e núcleos se combinaram para formar átomos neutros. Com isso, a luz pôde finalmente viajar livremente pelo espaço. Essa radiação ainda existe hoje, vinda de todas as direções do céu: é a Radiação Cósmica de Fundo. Detectada como micro-ondas, ela é um dos pilares da cosmologia moderna. Parte do antigo “chiado” das televisões analógicas, inclusive, tinha origem nessa radiação primordial. Com o universo já transparente, a gravidade passou a amplificar pequenas variações de densidade. Regiões ligeiramente mais densas atraíram mais matéria, crescendo ao longo do tempo até formar as primeiras estrelas e, depois, as galáxias que hoje observamos no cosmos. É dessa expansão contínua, iniciada há bilhões de anos, que o universo ainda carrega sua história.