Há 81 anos, as forças soviéticas libertavam os sobreviventes do Gueto de Lodz, na Polônia. Lodz foi o segundo maior gueto nazista da Europa, atrás apenas de Varsóvia. Mais de 210 mil pessoas foram encarceradas no local. Leia mais no @operamundi
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Logo após a invasão da Polônia em 1939, os ocupantes nazistas instituíram uma violenta política de segregação dos judeus. Na cidade de Lodz, conhecida por ter uma significativa comunidade judaica, os alemães reservaram um distrito para confinar a população judia.
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A ordem para criar o gueto foi dada por Friedrich Übelhör, o interventor nazista. Para intimidar a população e forçá-la ao deslocamento, os alemães perpetraram uma série de chacinas e massacres — nomeadamente a "Quinta-Feira Sangrenta", quando 350 judeus foram assassinados.
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Em abril de 1940, quando o distrito já concentrava mais de 160 mil judeus, os alemães mandaram erguer muros e cercas de arame farpado, separando o gueto do resto da cidade. O Gueto de Lodz era o 2º maior da Polônia, atrás apenas do Gueto de Varsóvia.
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Ao todo, mais de 210 mil judeus foram confinados no local durante a Segunda Guerra Mundial. Além da população judaica de Lodz, o gueto também recebeu judeus de outras cidades da Polônia e até de outros países, sobretudo Alemanha e Áustria.
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Civis de outras minorias étnicas também foram enviados para o Gueto de Lodz, sobretudo romanis. As condições de vida no gueto eram extremamente precárias. O espaço era superlotado, com uma população enorme confinada em apenas 4 quilômetros quadrados.
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A população vivia em habitações insalubres, com água e comida escassas, submetida à violenta repressão das forças policiais. Fome e doenças ceifavam muitas vidas. Os cativos eram usados como mão de obra escrava, produzindo suprimentos para o esforço de guerra alemão.
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A partir de 1941, com a implementação da "solução final" e da política de genocídio da população judaica, os cativos de Lodz começaram a ser deportados para campos de extermínio — sobretudo os campos de Chelmno e Auschwitz, onde a grande maioria foi assassinada.
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A princípio, a administração do gueto ficou a cargo de Johann Moldenhauer. Posteriormente, Hans Biebow, um comerciante oriundo de Bremen e dirigente do Partido Nazista, assumiu a gestão.
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O gueto era vigiado por batalhões da "Orpo", a força policial da Alemanha nazista, e pela Polícia dos Guetos. A gestão interna do espaço era feita em conjunto com o Conselho Judeu — órgão responsável por intermediar o contato entre os cativos e os nazistas.
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A presidência do conselho foi entregue a Chaim Rumkowski, um empresário judeu nomeado diretamente pelos nazistas. Rumkowski buscou negociar a sobrevivência da comunidade judaica em Lodz através da cooperação irrestrita com os nazistas.
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Convertido em braço direito de Hans Biebow, ele estabeleceu uma gestão autoritária, permeada por abusos e violência contra os cativos. Rumkowski chegou a acionar tropas alemãs para reprimir greves e revoltas de judeus no gueto.
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Rumkowski foi acusado de cometer abuso sexual contra prisioneiras e de priorizar a distribuição de alimentos para aliados. Também foi acusado de indicar opositores e desafetos para as listas de cativos a serem deportados para os campos de extermínio.
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Rumkowski é conhecido por um infame discurso, apelidado de "Deem-me seus filhos", em que exortava os cativos a entregarem idosos e crianças aos nazistas, após ser pressionado a diminuir a quantidade de prisioneiros "dispensáveis" e aumentar a produtividade no gueto.
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Rumkowski também atuou para transformar o Gueto de Lodz em um centro industrial, voltado à fabricação de suprimentos de guerra.
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Ele acreditava que, caso o gueto se destacasse como um centro fabril relevante para os alemães, havia a possibilidade dos judeus de Lodz serem poupados do extermínio.
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Para isso, instituiu uma exaustiva rotina de trabalho de 12 horas por dia e manteve 117 oficinas ativas, produzindo desde uniformes até equipamentos elétricos para os militares. A produtividade, de fato, adiou o extermínio. Lodz foi o último gueto polonês a ser fechado.
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A ideia de que a alta produtividade salvaria a vida dos cativos, entretanto, provou-se ilusória. O verdadeiro objetivo dos nazistas era, afinal, o extermínio do povo judeu.
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Em meados de 1944, alarmado pelo avanço das tropas soviéticas na Frente Oriental, Heinrich Himmler, comandante militar da Schutzstaffel (SS) ordenou a liquidação do gueto.
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Iniciou-se a deportação em massa dos cativos, com dezenas de milhares de judeus sendo enviados para os campos de extermínio. Nem mesmo Chaim Rumkowski foi poupado.
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